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ArteAzul-Atelier

 

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Chuva, Choro, Douro, Amor

"Chuva, Choro, Douro, Amor" de Ana Isabel Freitas

Numa ligação às tradições pela cultura popular, a notar-se em vocábulos insertos na expressividade que exala das suas frases, Ana Isabel Freitas, neste seu livro “Chuva, Choro, Douro, Amor”,  escreve como pinta ou fotografa, num dos lugares mais belos - o Douro -, servindo-se da humildade que dele, pelo trabalho, transcende como suporte das suas inspirações e parte das suas raízes familiares à descoberta, ao encontro do maravilhoso numa mistura de caminhos distantes também eles de procura pela obrigação imprescindível das realidades dos personagens.

A história familiar que transmite com verdade, sem subterfúgios ou traços cerimoniosos, desenha na perfeição e espelha artisticamente a História do povo transmontano-duriense, numa época de privações mas também de orgulho aos que corajosamente souberam alcançar mundos vencendo separações e inúmeras dificuldades.

Apresentação do livro “Chuva, Choro, Douro, Amor” da autoria de Ana Isabel Freitas

A apresentação do livro “Chuva, Choro, Douro, Amor” da autoria de Ana Isabel Freitas, editado por artelogy, ocorrerá no sábado, dia 3 de outubro de 2015, às 18:00 horas, no Espaço Miguel Torga, em S. Martinho de Anta.

As Montanhas são Sagradas

Devemos subir ás montanhas e respeitá-las 

A Serra do Marão ergue-se dominante, o Céu repousa nas cristas das montanhas e, assim, os Deuses comunicam com os Seres da Terra.

Devemos subir ás montanhas e respeitá-las, buscar o Conhecimento Universal e iniciar, nas colinas, a comunicação privilegiada com o Divino.

As enormes rochas arredondadas atestam a antiguidade e a sua imponência impressiona. O panorama é grandioso: é fascinante apreciar a paisagem sem dimensão, monumental! Maravilha permanentemente! Contemplamos, sem cessar, a majestade deste cenário. Aqui, penhascos graníticos, urzes, pinheiros, rosmaninho, giestas, esteva e animais aprendem os segredos de ler a posição das Estrelas e da Lua.

O destino poderoso e misterioso destes rochedos causa deslumbramento e surpreende sem limites.

No horizonte, as imensas montanhas de granito podem estar cobertas de neve ou, dependendo da Estação, podem deixar-nos surpreendidos pela riqueza do colorido. Grandes tufos de flores brancas, amarelas e lilases agarram-se às rochas e desvendam segredos. Assim, estes verdadeiros altares de pedra mostram a sua paisagem imortal e gloriosa, apaziguando o nosso "Ser eternamente". É impossível não comungar com as montanhas, pois o seu cântico suave e meditativo é claramente recebido, revelado e entendido pela nossa Alma.

As montanhas são a personificação do espírito da Natureza, o pulsar vivo da própria Vida, de ressurreição e de iluminação.

A Serra do Marão é sobejamente conhecida. Aqui, viajamos com os olhos abertos e o espírito livre, tentando encontrar o caminho interior que nos mostre a realidade e faça compreender a perfeição da Tradição Primordial.

in A Tartaruga Sonhadora

Hospital de Santarém

Insensível aos pedidos dos doentes?

Valha-nos S. Paulo (Macedo)!

A nossa conterrânea Graziela Gomes (Vieira por casamento) tem tido um conjunto de episódios de saúde que só uma vontade titânica a mantém de pé. Há anos foi dada quase como finada, seguida de muito tempo acamada. Por muito teimar e lutar ergueu-se e tem levado uma vida com alguma independência. Depois, viu-se privado do marido, seu único amparo. Hoje, vive só, no coração da cidade de Ourém, mas, um problema oncológico levou-a ao hospital para uma intervenção, seguida de sessões de radioterapia. Tem que se deslocar em ambulância de Vila Nova de Ourém até ao Hospital Distrital de Santarém, percorrendo na ida e regresso cerca de150 quilómetros. Por uma questão de poupança e rentabilização de recursos a Graziela viaja com outra paciente que, também, faz as mesmas sessões de tratamento. Sendo assim, o lógico, para doentes debilitados e em grande sofrimento era que o Hospital de Santarém lhes marcasse os tratamentos próximos um do outro. Mas, pelas informações que recebi não é bem assim. Ao que fui informado chegam a marcar os tratamentos das duas doentes oncológicas, uma para o início da tarde (14H00) e a outra para o fim da tarde (19H00). Isto, a ser mesmo verdade, será tanto mais revoltante quanto terá sido pedido para os tratamentos serem em horas próximas por viajarem no mesmo transporte. Qual quê? Ainda as terão afastado mais. A ser assim, só com intervenção do Ministro da Saúde ou do seu gabinete é que talvez se possa pôr cobro a esta cruel insensibilidade.

Não lhes chegará o infortúnio da impiedosa doença que lhes rói o corpo e a alma? Então será assim tão difícil colocar as doentes que viajam de longe na mesma ambulância em horas seguidas ou muito próximas? Ou será que os tratamentos são marcados por algum computador programado? Valha-nos S. Paulo (Macedo)!... À Graziela desejo eu e o Notícias de Mirandela rápidas e totais melhoras. Fico à espera dos seus belos poemas para os reencaminhar para a redacção do Notícias de Mirandela.

Chouriças Doces e Sangueiras

Depois da ceba morta, são as chouriças doces as primeiras a serem feitas e aproveita-se o sangue da ceba, a que se junta o trigo partido às fatias finas, o mel e a canela. Estas são as chouriças doces ou chouriças de sangue, pelas quais eu suspirava em criança e ainda hoje me consolam a alma.

Logo que o reco é desfeito, isto é, depois das carnes bem escorridas, seguem as alheiras da abundância e da poupança. Com pouca despesa faz-se um prato divinal e com calorias para mourejar um dia de trabalho.

Na corda de Lomba e prosseguindo em Terras de Monforte de Rio Livre, as chouriças doces dão o lugar às sangueiras ou chouriças de sangue ou verdes. Entre as chouriças doces e as sangueiras, a ausência de mel ou açúcar é o elemento que mais as diversifica.

Em Mirandela nunca ouvi chamar-lhe morcelas. Morcelas de arroz comi-as no tempo de estudante em Leiria e pareciam-me esquisitas, porque na minha alma mais recôndita as chouriças doces tinham um lugar insubstituível, selado pelo traço que me ligou sempre à minha mãe. Como colocava a caldeira de cobre em cima da esteira ou da rodilha, junto ao brasaredo da lareira, como os trigos enormes se iam transformando em alongadas fatias, depois a calda do mel (e canela) vindo da serra da Padrela transformava nas sopas doces e que eu comia como um manjar dos deuses. Pelo menos de um deus de amor.

As sopas eram sempre retiradas da caldeira para uma malga de gemalte. O pior momento era quando as sopas doces da caldeira eram regadas com calda do sangue. Acabava-se, por algum tempo, o que era bom. Mas quando secavam e se comia uma, nem que fosse um reizinho, a acompanhar uns espigos cozidos com batatas, deixavam-me consolado. Este pequeno texto nasceu para dizer que devemos chamar às coisas pelo seu nome. Em Leiria ou no Centro do país nunca me atreveria a chamar às morcelas sangueiras ou chouriças de sangue, porque ali o nome é outro. Já viram o que era confundirmos os famosos pastéis de Chaves com os divinais pastéis de Belém? Mas, não há chouriças doces como as que se fazem de um modo tradicional em Mirandela.

Artesanato em Cinfães

Artesanato no concelho de Cinfães

O artesanato é um dos principais reflexos da vida de uma comunidade, pois através dele podemos conhecer tudo o que envolve a cultura de um povo.

No concelho de Cinfães observamos o artesanato seguinte:

Cestaria: trabalhos em palha e silva, verga e castanho;

Correias de escala e de cabação com chocalhos de bronze e aplicações de metal amarelo, sobre couro, feitas apenas em Tendais;

Latoaria: do trabalho da folha de flandres resultam candeias, lamparinas, almotolias, baldes, braseiras e cântaros, característicos de Porto Antigo e Boassas;

Tamancaria: tamancos elaborados em cabedal grosso trabalhado e madeira de lodo;

Tecelagem: cobertores da serra, lisos e carpados, em lã; carpetes, mantas, tapetes e passadeiras, em tiras de pano; mantas, lençõis e toalhas, em linho; capuchas, em burel;

Tanoaria: destacam-se os pipos, baldes, jarros, canecas, realizados em madeira de carvalho;

Miniaturas em madeira: barcos rabelos, carros de bois e instrumentos agrícolas;

Caroças e polainas realizadas em palha: protegiam os pastores dos rigores do inverno na zona montemurana.