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ArteAzul-Atelier

 

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As lojas chinesas estão a tornar-se uma praga, graças à pouca cultura que a nossa gente tem. Cada vez que compram um produto chinês, nós os portugueses e Portugal, ficamos mais pobres. Além disso, ao comprarmos produtos chineses estamos a empurrar mais portugueses para o desemprego.

Digam-me o que é que os comerciantes chineses compram nas lojas portuguesas? Porque é que não têm, também, alguns produtos portugueses nas suas lojas? O que me parece é que eles praticam um quase racismo comercial, relativamente aos produtos portugueses. A forma de os fazer mudar de estratégia é, ao entrar nas suas lojas, questioná-los, pedir-lhes produtos portugueses. Se sabem que somos nós que lhe demos dinheiro a ganhar, também deviam pensar um pouco em retribuir e não só mandar dinheiro para a China. A maior parte dos produtos chineses não têm qualidade, pelo que lembramos: «quem se veste de ruim pano, veste-se duas vezes no ano.»

Seda

Seda: passado e presente

A seda é obtida dos casulos do bicho-da-seda que se cria especialmente para esse fim. Os casulos são enovelados e com o fio obtido é tecida a seda. Na China, os simples mas custosos tecidos de seda eram decorados com signos de escrita e imagem, costume que deu origem à pintura sobre seda atingindo o seu apogeu por volta do ano 1200 d.C..

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Imitação de Vitral

Execução na parte mais lisa 

Todo o trabalho de contorno e pintura é realizado pelo lado mais liso do vidro martelado. Primeiro limpa-se com álcool para retirar qualquer tipo de gordura.

Seguidamente, coloca-se o desenho escolhido debaixo do vidro e passam-se todas as linhas com caneta de acetato. Fica o desenho, deste modo, transportado para o vidro.

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Aos Pés da Senhora da Piedade

de Nelson T. Silva

Por este autor era capaz de me atravessar. Por este homem era capaz de por as mãos no lume. Sei quanto vale a sua palavra e sei, muito bem, quanto é que as suas palavras podem valer.

Foi sempre discreto, humilde, reservado e silencioso. Tinha (e tem) um estilo muito pessoal. Aliás, aquele estilo que também o caracterizava enquanto jogador de futebol, enquanto guerreiro de Monte da Barca, enquanto usuário da camisola amarelorubra esquartelada - discreto, inesperado, silencioso. Eficiente, sagaz e oportuno. Ninguém dava por ele, quando era ele o elemento preponderante. Ninguém reparava nele, quando era ele que se transformava num muro de betão para conter todos os ataques adversários. Ninguém contava com ele, quando era ele que carregava o piano às costas, quando era ele quem empurrava toda a equipa e quem galvanizava para as vitórias mais espectaculares.

Lembro-me de um final de tarde em Vidago, de roer as unhas até ao tutano, estavam as coisas pretas para o nosso lado, os bombos e as caixas tinham emudecido e as mulheres da minha terra com os gritos abafados nas gargantas, quando o Nelson vai por ali abaixo, como um falcão, vai por ali abaixo, como uma andorinha e, num daqueles lances que ficam gravados no disco rígido  das coisas mais lindas da nossa vida, arranca um pontapé genial, de fora da área, de fora de todas as regras e de fora de  todos os catrapázios, de todas as convenções e de todas as previsões “meteorológicas” e enfia aquele projéctil redondinho no cantinho inferior direito da baliza adversária rumo aos campeonatos nacionais – milagre! – “Oh Mondinense, Futebol Clube, ai tu és todo do meu coração…”

Quem consegue transformar, como por magia a coisa mais banal, ou a situação mais corriqueira numa coisa do outro mundo, ou num momento luminoso é um poeta - e o Nelson consegue transformar as coisas. Nasceu e rasgou os cueiros naquelas fragas alcandoradas, povoadas há mais de cinco mil anos, que se espreguiçam sobre a Rua Velha e sobre as veigas do Ribadal, no cocuruto do Outeiro luminoso, posto, frente a frente e de olhos nos olhos, com a sublime majestade de Nossa Senhora da Graça. Bebeu ali das raízes, das fontes primordiais e dos complementos da tradição – café da chiculateira, bolatos com salpicão, sardinhas do Carpinteiro, broa do Costa, galhofas do Mesquita, confeitos do Crena e pirulitos do Carlos Alves.

Sua mãe cantava enquanto embalava o berço; seu pai executava as partituras do Mestre Reis nas abafadas noites do Verão antigo, pairavam, enigmaticamente, no ar, os românticos acordes das serenatas no espigueiro, botavam as mulheres o “alto” nas desfolhadas do campo do Eiró; passavam ao longe as estúrdias dos romeiros de São Tiago a caminho da Senhora da Graça; ensaiava a banda Mondinense, mesmo ali ao lado, os ordinários da entrada para desfilar nas Gualtarianas de Guimarães. Não admira que o Nelson traga toda aquela música na alma e no coração e que o ritmo, a cadência e a harmonia brotem da sua inspiração e povoem todos os poemas que ele vai escrevendo, sentado nos muros do Monte Ladário.

O Nelson gosta de escrever lá no alto, lá em cima – em divina contemplação. Na Bouça, quando a lua cheia parece querer engolir o Toumilo Celta, ou aos pés daquela mulher de pedra que chora com Seu Filho no colo. Aos pés da Nossa Senhora da Piedade, por quem o Nelson tem uma grande devoção e com quem partilha, diariamente uma grande cumplicidade. E então as suas estrofes cheiram a tojo e a rosmaninho e são tão frescas que conseguem saciar a gente como se estivéssemos a beber na Fonte do Eiró dos romeiros, ou na enfeitiçada Fonte do Barrio, que acorrentava a Mondim quem beijasse a sua boca.

O Nelson é um marido apaixonado, um pai babado e um escritor inspirado. Fez, comigo, animação e fez cultura; fez comigo música e fez teatro e canta, ao meu lado, no Coro de São Cristóvão de Mondim, já lá vão trinta e tal anos. Conto com ele, ao meu lado, para interpretar as mais difíceis partituras da minha vida.

Agora, conto com ele como poeta. Como vocês podem contar.

Luís Jales de Oliveira, in Intimidades - Estados d´Alma

Primavera Celta

A chegada da Primavera Celta

O calendário Celta das estações do ano deixava passar quarenta dias sobre os solstícios e equinócios para iniciar uma nova estação. Assim, depois de uma quarentena sobre o equinócio de Outono, iniciava-se o novo ano Celta no primeiro de Novembro (Samhain o festival da passagem do velho para o novo ano), começando o Inverno que se prolongava até final de Janeiro. A Primavera iniciava-se dia 1 de Fevereiro, 40 dias após o solstício de Inverno e indo até final de Abril. Era o Imbolc ou festa do fogo (luz, sol e fogueiras) a que os cristãos contrapuseram o S. Braz, mantendo as fogueiras. Dia 1 de Maio (Beltane outro grande festival) principiava o Verão, sendo o mês da frutificação, daí implorar-se às divindades (deusa Maia, Mãe Natureza) para que o ano corra bem para as pessoas, animais e colheitas.

Ainda, 40 dias após o solstício de Verão, entrava-se no Outono a 1 de Agosto. Curioso é saber-se que na Irlanda a população continua a seguir o calendário Celta. O cristianismo tentou apagar estes traços da nossa cultura, colocando Jesus Cristo, os santos e arcanjos nestas datas festivas celtas. O dia de Todos-os-Santos, o nascimento de Cristo (deve ter ocorrido perto da Páscoa) com a fogueira purificadora, o Mês de Maria em Maio, os Santos Populares são algumas das datas para tapar os deuses celtas e clássicos, como os santuários e capelas no cimo dos montes tapam datas e cultos antigos. Seria importante que, pelo menos nas escolas e associações se fizesse algum retorno às origens e, pelo menos, as Maias voltem a ser celebradas com envolvimento social, como os jardins nómadas de Mirandela.

Se vos disser, que uma festa de arromba em que quase tudo era permitido acontecia na antiga Fenícia, nas celebrações de Adónis com os belos «Jardins de Adónis» ou tabuleiros de trigo. O sangue de Adónis resgatava a Natureza e transformava-se em flores primaveris. Os gregos viram neste culto os «mistérios da vegetação». Há dois anos, a Cultura do Município de Mirandela ao associar o «Festival dos Jardins Nómadas» ao meu livro «As Maias entre mitos e crenças», estava a reviver vários milhares de anos na caminhada teológica e social da humanidade.