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ArteAzul-Atelier

 

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Atacar por atacar o adversário

Tinha pensado não dar qualquer importância, salvo cumprir o meu dever de cidadão no próximo dia 23, à campanha de Eleições Presidenciais que está a decorrer. Entretanto uma foto do candidato Professor Cavaco Silva que encontrei na Net fez-me mudar de pensamento, e desse modo abordar um assunto que parece surgiu, logo à partida, sem assunto capaz de seduzir os portugueses. Sem adversários políticos ou de cidadania capazes de por mérito próprio o vencerem, Cavaco Silva entrou na corrida à casa que já ocupa, como actual  Presidente da Republica, praticamente na situação de vencedor, testemunho bem expresso é o sorriso e o abraço que nessa foto parece estar a dar a todos os portugueses, sem excepção. Conscientes dessa realidade e da superioridade do adversário, os outros concorrentes nem ao trabalho se deram de apresentar projectos ao eleitorado e apenas vai de desatarem a lavar roupa suja e com isso sujar o nome de Portugal e das instituições que temos.

A democracia tem destes casos, permitir que o medíocre goze da liberdade devida a todos os seus concidadãos. Claro que aqui é o bom senso do cidadão que deve agir, e quando isso não acontece, ou funciona mal, quem acaba por pagar a factura é o erário publico, como tem vindo a acontecer neste País dos bananas, e não das bananas. É exemplo o governo que temos e também o comportamento dos adversários do actual Chefe da Nação Portuguesa, do qual diz um dos seus adversários, não devia ser reeleito porque ao contrário dele e dos seus camaradas é uma figura desconhecida internacionalmente.

Quanto a esse acusatório e menos verdadeiro juízo, recordo que também Al Capone conquistou a fama universal e nem por isso merece o respeito devido às pessoas honradas e ao povo trabalhador e sem voz para se fazer ouvir. Além de que lições de democracia, patriotismo e liberdade vindas dali…, têm o Metro do passado dia 11 para contrapor: "Com mais de três décadas de Parlamento, mas quase nula experiência de gestão de assuntos de Estado. Na realidade, Manuel Alegre foi secretário de Estado por escassos seis meses", e acrescenta: " fica na história por ter sido o governante que encerrou as quatro publicações do grupo da Sociedade Nacional de Tipografia, em Fevereiro de 1977, atirando para o desemprego 900 trabalhadores daquela que era, à época, o maior e mais prestigiado grupo de imprensa de Portugal".  "O Século", "Século Ilustrado", "Vida Mundial" e  "Mulher - Modas e Bordados", foram estes os contemplados... com a democracia de um dos candidatos a Belém. Daí que se tivesse de escolher outro que não Cavaco Silva seria Fernando Nobre o meu preferido, por se revelar o mais ponderado na linguagem e o menos contundente no atacar por atacar o adversário.

Ovo da Páscoa

Ovo da Páscoa efetuado com balão

Uma das formas de efetuar um Ovo de Páscoa é utilizar um simples balão cheio de ar em que deve ter-se o cuidado de apertar muito bem o orifício de entrada/saída de ar. Depois do balão cheio, deve revestir-se a sua superfície com tiras de jornal coladas, utilizando cola branca. Este processo deve repetir-se com cinco ou seis camadas de modo que resulte uma estrutura resistente.

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Plasticidade

Pintura a Óleo

Nuances de plasticidade através da tinta sobre uma base húmida

De todas as formas de expressão pictórica, a pintura alla prima é a que mais possibilidades oferece no que diz respeito à plasticidade. Ela permite modelar as imagens com a tinta ainda húmida, criando empastamentos (camadas espessas de tinta), cuja textura e consistência valorizam o resultado final da obra. O efeito produzido pela pincelada imprime, assim, maior plasticidade ao trabalho, dando-lhe um relevo quase escultórico.

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Com os Ladrões às Costas

A vida é como um carrossel que vai girando, com altos e baixos, mas sempre e impiedosamente a avançar para o fim. É a roda do tempo, contra a qual nada posso, mas que gostava de poder, um dia, meter-lhe um chuço na engrenagem e fazê-la parar, ainda que fosse por uns instantes.

Há ainda umas décadas a trás que os mais idosos eram vistos, pelo menos no mundo rural, como uma mais valia. Como alguém sábio a quem se podia escutar os seus conselhos ou pedir uma opinião quando se pretendia tomar uma decisão.

Ainda me lembro de outros lavradores mais novos que o meu pai lhe perguntarem, se já poderiam semear este ou aquele cereal, este ou aquele renobo. Se aquele terreno daria bom trigo ou se naquela regota se faria um bô olibal. Se devia inxertar a vinha com prumos de bastardo, verdelho, mourisco, malvasia, tinta carvalha, tinta Roriz ou moscatel. Se naquela embelga era melhor pôr uma carreira de oliveiras, verdeais, madurais, rebolas, cobrançosas, cordobis ou bicais. É que havia terrenos secos e outros enchoquecidos, encostas solheiras ou de abexêdo (mais frias) e isso condicionava as plantações e tipo de culturas.

Os conselhos não se ficavam só pelas plantações, passavam por indicações sobre animais domésticos e de trabalho. Se a raça de beis galegos, mirandeses (deitam uns castelos) ou paibotos (pequenos mas bons para o trabalho e destemidos a puxar a charrua funda ou o carro bem carregado. Estes são pequenos mas têm a alma grande – alma no sentido de sangue e força, escravos do trabalho ou se tinham má boca. Até onde eram os animais criados ou de onde rescendiam tinha influência, por isso se dizia: - homes de Santa Maria (de Émeres), beis de Valpaços e mulheres de Valtelhas, quem os meter em casa torce as orelhas.

Depois, a sabedoria dos mais novos ou dalgum cadelo gougueiro era posta à proba com perguntas deste género: - quantas missas se podem rezar ao mesmo tempo na catedral de Miranda do Douro? Quantos olhais tem a ponte de Mirandela? Como se conhece um nobilho dum bei cerrado? Quando o pão debe começar a encanar ou em que mês se fai uma boa sementeira? Qual é a melhor qualidade de batatas – ranconce, canabeque ou rambana?

A faina do mundo rural é uma ciência prática que se está a perder completamente.

Em Angola, que é um país em franca construção, preferem contratar uma pessoa de meia-idade (aqui paga-se para que deixe de trabalhar) do que sem experiência, porque ali ainda se valoriza o saber e o saber de experiência feito.

Hoje já não se transmite o saber às gerações mais novas porque os velhos do mundo rural são empurrados para os asilos a que chamam lares ou residências, mas a realidade mostra que são asilos. São depósitos de velhos que, em alguns aspectos me fazem lembrar antigos guetos. Isto é, por mais que «pintem» estes locais são depósitos de pessoas idosas à espera da morte e a sua função não muda. Podem-me dizer que são precisos. E são. Mas, só em situações pontuais, que rapidamente evoluíram para a generalidade. Porém, os que hoje empurram os familiares para esses lares de solidão e de abandono também estão a construir o seu caminho dentro de alguns anos (- filho és pais serás, assim como fizeres, assim acharás!).

A nossa idade pode ser vista pela perspectiva da vida vivida, da sabedoria acumulada, mas também da ruína do corpo que o poeta António Cabral diz ser bem pior que as ruínas do Castelo de Almendra. A esta ruína, que no fundo começa quando nascemos, é uma constante nas nossas vidas. Podemos iludir-nos ou tentarmos enganar-nos mas não ludibriamos o nosso corpo, nem o espelho.

A sabedoria popular apelida a idade dos anos de ladrões, porque nos roubam a força, nos roubam a beleza e nos vão limitando os movimentos. Ladrões porque nos roubam o bem mais precioso que é a vida, a frescura e a vitalidade e nos tornamos uma terrível ruína com mazelas encarquilhadas.

Assim, quando se diz a alguém que tem «uns bons pares de ladrões às costas» é uma forma disfarçada de se dizer que tem uma bonita e sábia idade. Muitos não assumem a idade, a ruína do corpo, mas é apenas uma ilusão. E ai quem não tem a felicidade de chegar à terceira ou à quarta idade... acaba por não viver a vida em toda em sua extensão!

Assim, porque já vi partir muitos da minha idade, posso dizer que já tenho «uns bons pares de ladrões às costas», isto é, já vou bastante à frente do meio século de vida, mas cada vez mais o voo da vida se vai encurtando.

Jornalismo

Como seria se não houvesse jornalismo?

Há muita gente que diz mal dos jornais e dos jornalistas. Mas se as nossas terras, o nosso país, o planeta terra, vão de mal a pior, com guerras, com sangue, com destruição sistemática, tudo por causa dos erros dos homens, que aconteceria se não existisse forma de responsabilizar a consciência humana, através da denúncia e do apelo à razão universal?

Escolhi este tema para reflexão pública do papel dos jornais, dos jornalistas e daquilo que eles produzem na imprensa escrita, falada e vista. Se a sociedade, em geral, caminha apressadamente para o abismo, sem uma voz pública, credível e atenta que  reprima os excessos, denunciando no espaço e no tempo, a vida transforma-se num drama insuportável.

Portugal atravessa um desses dramas que a viragem do milénio acolheu, a partir de políticas erradas e sem fim à vista. 

Para comprovar o que deixo dito, nada mais apropriado do que um editorial do Jornalista Costa Guimarães, publicado no dia 14 do corrente, no Correio do Minho. Na semana em que assinalo 61 anos de jornalismo militante, não  seria eu capaz de resumir tão claramente, a balbúrdia em que navegamos, sem vislumbrar escapatória para tamanha crise de valores.

«Agradeço a quem tem disponibilidade psicológica para ler os relatórios do Tribunal de Contas – essa força de bloqueio – que os autarcas, secretários de Estado e ministros toleram.

De facto, essa força de bloqueio proporciona-nos momentos hilariantes, porque as tristezas não pagam dívidas...

Vejam só que a ARS do Alentejo decidiu adquirir um armário persiana, duas mesas de computador e três cadeiras de costas altas e rodinhas que custaram noventa e sete mil euros... quase cem mil euros. Estas peças devem ser de ouro.

Em Matosinhos, a empresa municipal de habitação gastou 142 mil euros para reparar uma porta de entrada do edifício. Alguém sabe de que é feita esta porta? O Tribunal de Contas não sabe.

A Universidade do Algarve gastou numa viagem aérea até Zagreb, capital da Croácia, durante quatro dias, 33 mil euros. A TAP revelou ao Tribunal de Contas que a viagem de ida e volta custa 1700 euros. Em que foram gastos os 32 mil euros? O Tribunal de Contas também não conseguiu perceber. A câmara de Ílhavo comprou três computadores, uma impressora, dois leitores ópticos e pagou quase 400 mil euros, trezentos e oitenta mil, mais rigorosamente. O Tribunal de Contas ficou bloqueado.

Completamente embriagados ficaram os relatores do Tribunal de Contas quando viram que a Câmara de Loures gastou mais de 652 mil euros em vinho tinto e branco. Certamente não era para distribuir nas escolas. Mas vá que não vá, porque Loures é uma câmara rica, agora o que se passou na câmara de Sabugal, não dá para entender. O município gastou um milhão e duzentos mil euros para comprar uma viatura ligeira de mercadorias (uma carrinha Renault).

Há coisas fantásticas, não há? Ah, pois há. A câmara de Sines pagou a mesma quantia – um milhão e duzentos mil euros — pelo aluguer de uma tenda para a inauguração do Museu do Castelo.

O Tribunal de Contas ficou embasbacado ao perceber que o aluguer de uma tenda custa mais que a carrinha de Sabugal e uma boa casa.

Finalmente, mas em primeiro lugar: a câmara de Beja abriu um concurso para uma fotocopiadora multifuncional e pagou seis milhões e meio de euros. Repito, seis milhões e meio de euros.

Este contrato público é um dos mais vergonhosos que se encontra no site do Tribunal de Contas. E ninguém vai preso por obscenidades como esta?

Nós, limitamo-nos todos a ser o bobo da corte, sim, esse mesmo que “… divertia o rei e os áulicos. Declamava poesias, dançava, tocava algum instrumento e animava as festas. De maneira geral era inteligente, atrevido e sagaz. Dizia o que o povo gostaria de dizer ao rei e zombava da corte”. É o que nos sobra fazer.

Abusei da transcrição. Mas  ela é um alerta muito oportuno, muito sério e muito esclarecedor. Se até o Tribunal de Contas denuncia estes factos que alicerçam casos de pura corrupção, como andará o país real, longe dos olhares  dos órgãos dos diversos poderes. E como podem atacar-se os jornais, os jornalistas e a liberdade de imprensa se cada vez a corrupção é mais gorda, mais rotineira, mais envolvente  e mais prejudicial aos indefesos que tudo suportam, no corpo e na alma?