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ArteAzul-Atelier

 

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O bragançano, Virgílio Gomes (irmão do ex-governador civil de Bragança) é um dos maiores especialistas nacionais em gastronomia. Semanalmente somos um dos privilegiados com as suas belas e suculentas crónicas gastronómicas que nos ajudam a recordar saberes da gastronomia tradicional, mas, principalmente, à aquisição de novos saberes dos sabores da mesa e do estômago. Uma vez ou outra, damos-lhe o nosso ponto de vista, que ele recebe sempre com a humildade de bom transmontano. É, talvez, esta sua humildade e descrição quando se expõe que ainda o elevam mais. Por isso, sentimo-nos honrados e agradecidos em nos mimar com as suas crónicas de saberes sobre os sabores. Para os que pretendam consultar o seu site, aqui fica: virgiliogomes.com. Desejamos a Virgílio Gomes, autor do livro «Transmontanices - Causas de Comer», que a sua pena nunca se canse.

Mensagens Artísticas

Imitação de livros antigos

As mensagens artísticas a que nos referimos e que temos vindo a efectuar no Atelier dizem respeito à imitação de livros antigos a partir de, por exemplo, listas telefónicas desactualizadas. O objectivo desta técnica é realçar o aspecto artístico com sinais de envelhecimento num conjunto harmonioso, normalmente de tonalidades douradas, onde é inscrita uma mensagem.

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A seda

A seda, antigamente, era simplesmente colorida

A suavidade do toque e o brilho da seda têm, ao longo dos tempos, talvez desde há mais de 3500 anos, cativado mulheres e homens. A sua procura e respetiva comercialização levaram ao aparecimento de rotas terrestres e marítimas, como por exemplo do Japão ao Mediterrâneo. Inicialmente, a seda era simplesmente colorida, surgindo as primeiras técnicas na China e na Índia.

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Paisagem Urbana

Variações de luz na paisagem urbana

A paisagem urbana é uma das variantes da paisagem. Um dos elementos mais importantes na paisagem urbana é a presença da luminosidade natural que, apesar de comum a todos os géneros de paisagem, toma formas especiais nas cenas urbanas. A projeção da sombra de um edifício sobre outro ou sobre o chão da rua, por exemplo, exige um tratamento particular. O mesmo acontece com o reflexo das vidraças que modifica o próprio jogo de luzes e sombras.

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Reciclagem de Papel

Papel Reciclado

Utilização de papel velho cortado, água e plantas secas para a obtenção de papel reciclado. Com a reciclagem do papel, misturando outros elementos, poderemos obter diferentes texturas que, combinadas harmoniosamente, resultam em trabalhos de grande interesse decorativo e, eventualmente, utilitário.

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Técnica de Envelhecimento

Envelhecimento com folha de ouro

Utilizando tintas acetinadas à base de água, o chamado vermelho inglês para a folha de ouro e o azul ou negro para a folha de prata, dão-se duas demãos, deixando secar cada uma delas, sobre a superfície onde vai aplicar-se a folha. Depois de passar mordente espera-se durante 15 a 20 minutos, dependendo da temperatura ambiente.

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Pinheiro de Natal

Pinheiro de Natal com pinhas

Tal como a Casinha de Natal em que se utilizou a técnica de colagem das escamas das pinhas, o mesmo se poderá fazer na decoração de outros objetos. Este aqui apresentado pela imagem - um pinheiro de Natal -, resultou da utilização da mesma técnica, ou seja, uma a uma, foram as escamas previamente retiradas das pinhas com auxílio de um alicate, procedendo-se depois à sua colagem numa superfície cónica.

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Em Outubro

já o lume é amigo

Em Outubro já o lume é amigo.

Homem grande em terra pequena não se governa.

Diz o castanheiro ao pastor: - quando vires o ouriço arreganhado, não deixes vir aqui o gado!

Os Olhos de Tila

A Poesia é mais verdadeira do que a história - Aristóteles 

- Aqui é Valdigem, minha senhora?

- É sim, meu senhor: Baldige, a terra que Deus não quige.

Parei o automóvel, junto de uma ramada, saí mai-la minha mulher para dar uma olhadela por vinhas e casas brancas pousadas na encosta como pássaros em transe de canto e notei que a minha companheira de viagem ainda sorria. Sorria, pois, da parlenda da mulher que acabávamos de abordar, que tinha muita graça, sim, senhor, e que era a prova de que a tradição mantinha o que devia ser o nome oficial da aldeia - Baldige, um genitivo antroponímico (desculpem os leitores a intromissão linguística) derivado de Baldoigius, através da forma Baldoigii, o qual pelo visto era um depredador suevo do século VI. Diluído o eruditismo como pedra de gelo em limonada, quis saber onde poderia ficar a casa ou quinta (se alguma delas ainda estava em jeito de se ver) do em seu tempo famoso Luís Beleza de Andrade.

A senhora engraçada tinha-se pirado, talvez por desconfiar dos sorrisinhos, talvez, e fomos-lhe no encalço.

Que não senhor, que já lhe tinham perguntado pelo figurão, mas isso eram coisas de antanho. E que lhe cheirava a potes de libras, lá isso cheirava. A mulher continuou o seu caminho com uma cesta de nêsperas na mão a que faltava a meia dúzia que nos tinha oferecido, sem aceitar da nossa parte qualquer recompensa.

Sentámo-nos numa paredeca a olhar o rio Varosa e a debulhar serenamente os sumarentos frutinhos. O sol vinha agora do alto do monte fronteiro, batia, naquele findar de tarde, com mãos cada vez mais leves, nos declives ondeados do monte de S. Domingos, sentíamos o que lhe restava de cristal, sobre os ombros, e a dizer não sei o quê a uns limoeiros que interrompiam voos, um pouco abaixo do lugar em que nos encontrávamos. Apetecia-me abrir um livro do poeta da Aldeia de Cima, ali perto, também caçador, mas melhor poeta do que caçador, sem dúvida.

Ou antes: 

Fausto José, o poeta
e caçador de perdiz,
quando feria as palavras
sentia-se mais feliz. 

Lemos de facto alguns poemas de "É El-Rey que  Vai à Caça", ao ritmo dos murmúrios da natureza, sentíamo-nos bem, pois sentíamos, naquela tarde fulva de Junho, e, antes de partir-mos para Armamar aonde íamos a uma reunião da Confraria dos Enófilos da Região Demarcada do Douro, tivemos tempo de saber umas coisas interessantes sobre Luís Beleza (foi o que me disse a minha avó, que o soube da bisavó, etc. - Garantia da informadora a que nos conduziu a mulher das nêsperas que entretanto se tinha cruzado outra vez connosco)...

in O Rio Que Perdeu as Margens