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ArteAzul-Atelier

 

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O bragançano, Virgílio Gomes (irmão do ex-governador civil de Bragança) é um dos maiores especialistas nacionais em gastronomia. Semanalmente somos um dos privilegiados com as suas belas e suculentas crónicas gastronómicas que nos ajudam a recordar saberes da gastronomia tradicional, mas, principalmente, à aquisição de novos saberes dos sabores da mesa e do estômago. Uma vez ou outra, damos-lhe o nosso ponto de vista, que ele recebe sempre com a humildade de bom transmontano. É, talvez, esta sua humildade e descrição quando se expõe que ainda o elevam mais. Por isso, sentimo-nos honrados e agradecidos em nos mimar com as suas crónicas de saberes sobre os sabores. Para os que pretendam consultar o seu site, aqui fica: virgiliogomes.com. Desejamos a Virgílio Gomes, autor do livro «Transmontanices - Causas de Comer», que a sua pena nunca se canse.

Colar de Croché

Colar com fio de croché dourado

A tendência atual para a diversidade e busca incessante de novos acessórios para o embelezamento das roupas vai ao encontro do trabalho em croché representado na imagem que, não sendo original na ideia, é, contudo, único no esquema.

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Da tradicional à azulejaria moderna

Azulejaria - Painel Moderno

Tal como a arte em geral, a azulejaria tem passado por processos de transformação, tanto nas técnicas como nos elementos de composição. A pintura em azulejo e as suas técnicas têm sofrido alterações ao longo dos tempos, num processo normal de evolução.

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Revista de Imprensa

O tempo, hoje

Nas ilhas, as ondas batem de maneira diferente, também não é para admirar, o vento sopra mais forte e a insularidade tem destas coisas: o arregaçamento dos olhos é muito mais insistente e consegue mesmo afugentar, de um modo expedito, os cabeça grossa com várias fiadas de dentes que apesar de o serem se escondem no redondo das pedras negras.

No continente, o clima é mais uniforme. Desde há muitos anos o sol dá-nos constância de luminosidade. Diariamente, o descartado correio teima em embrulhar-se no mesmo papel e as parangonas repetem-se em novelas que o povo ama, como se diz e é moda. Aos comentadores não falta matéria-prima, continuando em engasgos comentários usando taxímetro a faturar. Esses sim, comadres de soleira de portas, mas figuras respeitadas e, evidentemente, angélicos intocáveis.

Segundo alguns mais atentos, ninguém perguntou, ontem, na assembleia à volta da extensa mesa, para onde ia o dinheiro dos que se dizem empresários do lado antigo. Apesar de sombroso e pouco esclarecedor o debate, conseguiu, contudo, antever-se uma quantidade enorme de roupa suja, certamente impossível de lavar-se pois não haverá, hoje em dia, máquinas suficientes e as que existem encontram-se naturalmente em mau estado de conservação, não se aconselhando substituições mas sim a sua reciclagem fazendo, para iniciar o processo, o ressurgimento de sucatas entretanto desmanteladas.

Demarcando-se como convém, a terreiro vieram alguns com a celeridade do costume, contribuindo fortemente para a riqueza de títulos por todos reconhecida como inequívoca.

A gastronomia continua a ser avaliada como a melhor, sempre que televisões ou degustadores conceituados andam por perto.

Saliente-se, para terminar: cento e cinquenta mil euros estarão à disposição de qualquer criatura que, determinada, deseje colocar-se num posição inspiradora de enaltecimento, contrariando a ideia de que as forças nacionais destacadas serão o melhor veículo de projeção de imagens.

Imprensa Regional

O heróico papel da imprensa regional

Portugal, de norte a sul, tem exemplos de verdadeira heroicidade. Poderíamos falar de comércios que ainda não trocaram o livro dos «fiados», pelas máquinas automáticas de apresentar o talão do pronto pagamento, também conhecido pelo «toma lá, dá cá». Como poderemos referir-nos às tascas, e mercearias que funcionam com a mesma filosofia de vida, como funcionavam há 50 ou 60 anos, quando apenas se pagava ao fim de cada mês, no dia em que o chefe de família recebia a jeira que ia direitinha do patrão para o merceeiro. Outros tempos, outras mentalidades, outra gente. Ninguém discutia contas, ninguém desconfiava de nada, pelo contrário, valia mais a palavra do que o papel. Era o tempo da solidariedade, da pureza da linguagem, do valor da palavra que valia mais do que uma escritura. Não havia calotes, desconfianças, traições ou zangas que hoje são como as moscas que picam como vespas e que deixam marcas para toda a vida.

Ao lembrar o tempo da solidariedade comunitária ocorre-me exaltar o heróico papel da imprensa regional. Ela representa para o país real, o que representavam essas mercearias que forneciam fiados, a velhos e novos, a ricos e a pobres, sem juros e sem remoques, num sentido humanista que os direitos humanos institucionalizados pelas Nações Unidas nunca conseguiram imitar. Eram tempos de fome, mas todos repartiam a malga do caldo. Não havia dinheiro e muito menos o crédito bancário. Mas todos emprestavam o pouco que tinham pela certeza de que o lucro da primeira vitela era para cobrir aquele buraco, sem que fosse preciso lembrar ao devedor. Ocorre-me transpor para o NetBila esta função do merceeiro tradicional, onde vigora o princípio dos

«que podem aos que precisam». Sempre bebemos no povo genuíno, práticas ancestrais. Recebo regularmente uma boa dúzia de semanários, quinzenários, mensários, onde colaboro. Este sortilégio permite-me andar informado e encontrar temas para as minhas reflexões regulares, nos mesmos ou noutros que já fazem parte do meu quotidiano.

Foi em 24 de Janeiro de 1953 que iniciei este «vício» que me acompanhou para a guerra de África, me seguiu dali até Chaves, onde trabalhei 8 anos, daqui para Guimarães, onde resido, desde há quase quarenta. Além da imprensa regional sempre estive ligado a diários, semanários de expansão nacional. Todos me prepararam para a faina da arte de informar, permitindo-me conhecer os meandros de um sector que sirvo fielmente há 58 anos, com o mesmo fervor de quando ia completar 14 de idade. Dentro de duas semanas gostarei de dedicar uma crónica a esta minha propensão para o jornalismo que me retirou de vícios urbanos e me inoculou o amor às terras por onde passo e às gentes que fazem de mim um cidadão atento ao que ocorre à minha volta.

Na tarde de 3 Janeiro leio essa boa dúzia de jornais regionais. Trazem-me notícias do Nordeste Transmontano, de Matosinhos, do Douro, de Mangualde, de Tondela, da Amadora. E até me chega o nº zero da Associação Desportiva Flaviense. Reparo no cinquentenário Notícias de Mirandela que, avesso às novas tecnologias, nem por isso perdeu qualidade e popularidade numa cidade competitiva e promissora. Anoto que Terra Quente, com sede na mesma urbe, tem dois colaboradores fecundos: João de Sá e António Júlio Andrade cuja leitura me deleita, a par da juventude de uma equipa jovem que se esforça  por cada edição que chega. De Bragança comecei a receber o Jornal do Nordeste, penso que pela mão do seu director Dr. João Campos e que sai gordo e atractivo do Diário do Minho. Bragança merece este e outros porque é uma grande cidade, com uma excelente administração municipal. De Chaves dois títulos bem familiares: Notícias de Chaves e a Voz de Chaves. Aquele prende-me de alma e coração ao meio, desde quando fui e regressei da guerra. Ainda hoje me considero da família. Este conheci-o desde a versão Alípio de Oliveira, onde colaborei anos, ao actual, mais jovem, mas amadurecido e firme. Do meu pátrio Barroso recebo três: O Notícias de Barroso, o Povo de Barroso e o Correio do Planalto. Lutam com armas desiguais. Mas cada qual leva a água ao seu moinho. A todos leio com o mesmo fervor bairrista. De Viana do Castelo chega-me o Vianense, filho mais novo do amigo Matias de Barros que sempre me vai lembrando a colaboração que quase sempre chegar tarde. De Vila Real, a querida Voz de Trás-os-Montes, onde dei os primeiros passos e de onde nunca me afastei.

Completo dia 24 deste mês 58 anos de fidelidade ao meu primeiro amor. Quase sacramental. Para o meu Prof. e director Padre Cardoso e toda a sua equipa um gratíssimo abraço. Do Jornal do Norte falei há três semanas. Uma voz artesanal, heróica, sóbria. O Notícias é outro exemplo de sucesso. Da Régua o mais velho: Notícias de Douro que acabou de completar 77 anos, com uma edição de 68 páginas. Notável, como notável é o seu timoneiro, o Dr. Armando Mansilha. De Fafe o Povo do mesmo nome, onde o Dr. Ribeiro Cardoso, honra seu Pai, Fundador, com uma garra que não pode perder. De Vizela o Notícias que o saudoso Abel Pinto aguentou enquanto pôde e que a Susana Ribeiro e o Sérgio Vinagre, têm sabido prosseguir, sem tibiezas. Resta-me citar dois quinzenários: Negócios e Tribuna de Valpaços, feitos um pouco à imagem e semelhança um do outro, mas correndo em espírito de leal e saudável competição em nome de uma jovem cidade Transmontana. Como os últimos devem ser os primeiros invoco aqui o Jornal de Matosinhos. Leio na edição de 31/12 que a A. M. aprovou uma proposta, condenando a Câmara local por atribuir a publicidade institucional a órgãos de informação de fora do concelho, em detrimento do mais lido jornal independente, em 31 anos de actividade concelhia. Numa perseguição política feroz, contrastante com o tratamento dado ao Matosinhos. Hoje que encerrou portas em meados de 2010.

A imprensa regional bem pode integrar-se no conceito do comércio tradicional.