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ArteAzul-Atelier

 

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O bragançano, Virgílio Gomes (irmão do ex-governador civil de Bragança) é um dos maiores especialistas nacionais em gastronomia. Semanalmente somos um dos privilegiados com as suas belas e suculentas crónicas gastronómicas que nos ajudam a recordar saberes da gastronomia tradicional, mas, principalmente, à aquisição de novos saberes dos sabores da mesa e do estômago. Uma vez ou outra, damos-lhe o nosso ponto de vista, que ele recebe sempre com a humildade de bom transmontano. É, talvez, esta sua humildade e descrição quando se expõe que ainda o elevam mais. Por isso, sentimo-nos honrados e agradecidos em nos mimar com as suas crónicas de saberes sobre os sabores. Para os que pretendam consultar o seu site, aqui fica: virgiliogomes.com. Desejamos a Virgílio Gomes, autor do livro «Transmontanices - Causas de Comer», que a sua pena nunca se canse.

Pop Art

Pop Art e técnicas associadas

Pop Art - "Pop" que, na língua inglesa, é a abreviatura de "Popular" que quer dizer "do povo". "Pop" também significa "vulgar", "trivial". A expressão Pop Art passou a ser usada por volta de 1960 para designar um estilo de arte relacionado com a cultura de massas.

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Naturalismo e Estilização

Pintar a realidade ou simplesmente estilizá-la

A História da Arte tem sido marcada, desde as origens, pelo conflito entre o naturalismo e a estilização - a realidade das coisas, dos objetos, das paisagens e realizações humanas em contraposição com a representação muitas vezes designada por abstrata, sem que se percebam verdadeiramente as formas conforme a sua arquitetura real.

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Folha de Estanho - corte e repuxado

Instrumentos de trabalho

Usando o corte e repuxados em diversos modos, tomando partido da sua maleabilidade, a folha de estanho é um material importantíssimo nas artes decorativas artesanais, podendo-se mesmo classificá-lo como nobre, impondo-se nos trabalhos e obras realizadas com características de singularidade apreciáveis.

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Azulejaria

Palavras relacionadas com Azulejaria

Azul: em qualquer dicionário da língua portuguesa lê-se que azul significa uma das cores do espectro solar; céu sem nuvens. De uma forma simplificada, cientificamente, a cor é a sensação dada ao cérebro pelos olhos ao observarem os corpos cujos materiais refletem a luz solar. Sem luz as cores não existem.

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A Cor

Pintura a óleo

O elemento que distingue universalmente a pintura, nomeadamente a pintura a óleo, de outras manifestações plásticas é a cor. Tanto no passado como no presente, as obras pictóricas são representações plásticas em que a cor é o elemento principal. O meio material da cor em todas as técnicas de pintura é uma substância corante conhecida como pigmento.

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Paisagem e Composição Realística

Paisagem - dificuldades na sua representação

A paisagem na pintura é relativamente recente na História da Arte. Até ao século XVII, a paisagem era usada apenas como cenário, ou pano de fundo, de um quadro. Praticamente não lhe era atribuída importância. Podemos afirmar que a paisagem era um simples adereço que servia somente para enquadrar e envolver um motivo muito mais importante como um retrato. Um dos primeiros artistas a atribuir à paisagem um papel mais importante foi o veneziano Giorgione (1477-1510), que pintava as suas figuras rodeadas de árvores frondosas, vales e colinas. Durante o século XVII, diversos pintores holandeses fizeram da paisagem o tema central das suas obras.

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«As Maldades da EDP»

«As Maldades da EDP» no mundo rural

Antigamente a EDP quando desconfiava que as leituras não andavam correctas pedia para ela própria registar a leitura do contador. Portanto, era só combinar o dia e a hora em que estaria lá alguém para facilitar o acesso ao contador. Também, não percebo porque permitiu, durante muito tempo, a instalação dos contadores no interior das residências, não permitindo a verificação de leitura do exterior.

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Os Olhos de Tila (3)

Tinham já sido feitas algumas reuniões no Porto

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Tinham já sido feitas algumas reuniões no Porto, a última com a presença de Bartolomeu Pancorbo, um negociante de S. Sebastião que revelara o interessante projecto de uma Companhia de Negócios de Vinhos, a qual não iria agradar aos ingleses, dada a não existência aí de privilégios que colidissem com os direitos dos pequenos e médios agricultores e comerciantes, incluindo as centenas de taberneiros existentes no Porto, dada ainda a intenção de apostar forte no comércio de vinhos com os países do Báltico.

- Que te parece, ó Beleza? - bichanara o frade dominicano ao ouvido direito do príncipe de Valdigem nessa tal reunião.

- Nada mal - ciciara o interpelado. - Mas cala-te: agrada-me pouco a aliança do Pancorbo com o Joseph Dumont. E logo um francês.

Ora para a reunião magna de Valdigem o duo Mansilha-Beleza tinha convidado apenas os outros quatro combatentes da Ala dos Namorados. Um mês antes, partira um próprio com os convites devidamente chancelados, a serem entregues aos senhores Felizardo Azevedo, de Vilarinho de Cotas, João da Silva Novais, da Pesqueira, Feliciano Rodrigues Carvalhosa, da Lousa, e Joaquim Pinto, de Freixo de Numão. Os Mascarenhas foram apenas informados e não convidados com o pretexto, aliás aceitável ("Livra-me disso, ó Mansilha, por mor desta maldita gota que me apoquenta, noite e dia" - suplicara o Mascarenhas pai) de que a deslocação seria de facto muito enfadonha, mau grado a beleza paisagística que se perdia. O filho, esse, era garrano e podia arranjar complicações. E o próprio era nem mais nem menos do que o matulão armado de bacamarte que, como vimos antes atrás, intimidou o tal das esporas reluzentes. Chamava-se Mesquita e lá foi montado numa égua andadeira até à Régua onde ambos tomaram o rabelo da carreira até à foz do Pinhão.

O Mesquita era pau para toda a colher e gostava sobretudo de andar de cu tremido, como ele dizia, cavalgando por montes e vales à procura não sabia de quê, embora de cada vez que o patrão ou a senhora o mandavam em recados ele tivesse sempre uma missão bem definida. Estava-lhe no sangue o instinto do desconhecido que herdara sem dúvida do pai e do avô que eram almocreves nados em Fontelo, ali a cavaleiro de Valdigem, mas criados pelas serranias e congostas da Beira e Trás-os-Montes. Ao subir da Foz do rio Pinhão para Vilarinho de Cotas, parou em Casal de Loivos e deixou que a vista se alongasse bem pelos morros fronteiros: alongou-se, alongou-se, muito para lá das coisas, muito para lá de uma vidraça faiscante que o deixou deslumbrado por alguns minutos. Lá estava a menina Tila, a filha dos patrões, um sorriso a abrir-se cada vez mais em mal me quer - bem me quer, há anos usava tranças, agora o cabelo é alto e parece verde como um tufinho de murta, parece, não, é, já não vem para junto de mim a saltaricar e a dizer: Mesquita, Mosquita, Mosquito, o mosquito anda à volta/ da cama da Joaquina, tem um ferrão/ que pica, pica,/ o mosquito voa, voa, /zeee, zeee, zum,/mata a pica, Joanica,/ pum, e ao dizer pum batia-lhe no ombro com o veludinho das mãos, como ele gostava da travessura, depois, leveira que era, leveira, desaparecia entre as coisas em flor como fazem as borboletas, agora a Tilinha cresceu, vem à janela ver-me trabalhar no jardim, pousa um livrinho no parapeito e levanta os braços que parecem ramos de laranjeira, a Tilinha, a senhora D.Tilinha, como a mãe quer que eu a trate, e trato, gostava de a tratar a toda a hora, eu, eu quê? , filho e neto de almocreves, um pobre diabo, eu, que também já fui almocreve, estou para aqui a delirar. Acordou do encantamento, levantou-se da murra de sobreiro em que estava sentado e virou o delírio do avesso: tem cautelinha, Mesquita, Mosquita, Mosquito. Se os patrões dão conta que fazes olhinhos à princesinha de Valdigem, põem-te no olho da rua e tens de ir pedir ou roubar por esses montes porque trabalho não arranjas, olarila, qual trabalho?, se a carestia por esse Douro é muita, anda a fome nos povoados e até houve patrões que se enforcaram...

Ao acabar o relambório, refeito da turvação, voltou a assestar as luminárias no rio ancho, na inquietação azul que subia pelos vinhedos e matagais da outra banda...

in O Rio que Perdeu as Margens